Mas ultimamente temos assistido a inúmeros anúncios em que as crianças são utilizadas como formas de publicidade. Isso não é trabalho infantil?
O código da publicidade estipula
que: “os menores só podem ser intervenientes principais nas mensagens publicitárias
em que se verifique existir uma relação directa entre eles e o produto ou
serviço veiculado”.
O certo é que, tal como disse Paulo Morais na Rádio Renascença: “as
campanhas publicitárias que recorrem à imagem de
crianças para vender produtos que nada têm de infantil ou juvenil são
recorrentes em Portugal. Recorrentes e ilegais.”
É possível verificar a existência de anúncios da
Coca-cola, do Continente, da EDP e do
Intermarché com crianças, sendo que apenas o do Continente se destina a
brinquedos e, portanto, seja, pelas normas do código da publicidade, legal. Mas
é mesmo?
Verifica-se aqui a existência de um contra-senso entre os direitos das crianças e o código de publicidade. Se as crianças não podem trabalhar sem ter uma idade mínima e se não podem ter um emprego ou uma ocupação, um anúncio que se dirija a elas deixa de ser trabalho? Deixa de ser uma ocupação? Não será tudo isto gerido com base em interesses?
Crianças, é de crianças que falamos e são elas que devem ser protegidas. Não pode, simplesmente, usar-se tudo em prol de um objectivo, neste caso, vendas e prestações de serviços.
Qualquer um de nós, ao assistir a uma publicidade em que existam crianças damos outra atenção a essa mesma publicidade. Porque acabamos por derreter-nos com essa imagem. As crianças estão então, a significar para as empresas, um meio de publicidade, uma forma de chegar aos consumidores, mais rápido.
A que custo querem as empresas chegar aos consumidores? Até que ponto o nosso Governo vai continuar a permitir que se faça tudo para tentar recuperar a economia do país? Estamos nós na Era do vale tudo?
Fontes:
Grupo 4
